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Pára o mundo, quero descer!

outubro 30, 2010

Sabe quando tu te arrepende de uma coisa que acabou de começar? Quando quer desistir no meio do percurso de algo, e não tem como voltar atrás? Uma dança, uma festa, um relacionamento, uma viagem, uma aventura, uma compra, um corte de cabelo… Tu te empolga, te envolve e quando para pra pensar: sem chances de retroceder.

Eu costumo dizer que não desisto das coisas. Entrou na roubada, agüenta o tranco, por mais que isso custe as vezes. Mas tenho um exemplo bem extremo de um desses momentos para tentar ser mais explícita na situação que tento descrever. E não é analogia, não, é fato.

Fui esquiar, em minha primeira e única experiência no esporte, com 3 amigos homens. Vestidos a rigor, com equipamentos alugados em punho, e aquela faceirice de brasileiro vendo neve (essa parte falo por mim mesmo). Tinha lá uma rampinha para teste, só pra ver se consegues parar em pé sobre dois esquis. Ok, temos essa coordenação. Depois uma intermediária, onde estavam as crianças e mães, com algo tipo 2 ou 3 ondulações de descida. Fomos uma vez (eu disse uma só!) descer na intermediária pra aprender a usar o equipamento, frear, fazer curva. E fomos para o mega super morro nevado de onde desciam pessoas com aspecto de atletas do SportTV em alta velocidade, e do qual tinha que se subir por uma daquelas cadeirinhas-teleférico, sabem? A pressa era porque um dos companheiros, o mais experiente, estava de snow board (chutei a palavra pela total falta de familiaridade com expressões esportivas do gênero, mas sabem o que é, né?), daí, usando isso, só podia descer na grande.

Saltar da tal cadeirinha em movimento foi meu primeiro grande desafio, e primeiro contato bunda-solo. Então parti, me sentindo um desenho animado onde todo mundo é capaz de tudo sem nem saber que poderia ou não ser capaz… A pista era íngreme pra caramba!! De verdade, não sou fresca com essas coisas, não exageraria. Tinha que ficar indo de ladinho, andando inclinado, e sei lá o que mais deveria fazer, afinal, definitivamente não aprendi antes de chegar lá!

Tentei daqui, dali, tentando fazer curvas para diminuir a velocidade, mesmo com tanta inclinação, administrando as quedas, cada vez mais freqüentes. Há essas horas meus amigos já deviam estar chegando lá embaixo. As piores eram as que o esqui escapava do pé e ia parar a metros de distância, e eu tinha que engatinhar pra chegar a ele, colocá-lo e levantar com aquilo, tarefa ninja pra  mim. Não, mas isso não era pior do que as caras das pessoas passando. Não consigo definir  mais na memória… mas era algo entre pena, desprezo e vontade de dizer que eu não tinha capacidade de estar ali, ou que eu estava atrapalhando o tráfego.

E ali, em meio a todos esses desafios, sentimentos e “companheiros” dando força, já longe do topo e provavelmente mais ainda da base final da pista, foi o momento em que pensei mais sério na minha vida: “NÃO QUEEERO MAIS BRINCAR!! Onde eu aperto para dizer que desisto? Pra me tirarem daqui? PÁÁÁRA O MUNDO QUE EU QUERO DESCER!!”

O mundo não obedeceu.

Me enchi de coragem, conscientizei que não podia contar com mais ninguém além de mim, e que eu teria que conseguir. Ou não sairia mais daquela situação, e daquela montanha gelada. “Ou será que alguém vai resgatar desistentes no final do dia? Um guincho de manés?” pensava eu sentadinha no gelo entre uma queda e outra, “… não, não, muito mico! Vai Nati, tu é morena, tu consegue!”
E de fato, se tu põe na cabeça que tem que conseguir, as coisas fluem (no fim é melhor que  o mundo não pare mesmo, viu? assim aprendemos a sair de onde nos colocamos).

Também preciso registrar que chagar ao  final da pista/morro, no chão plano, deu um prazer absurdo… Fiz o caminho de volta a pista intermediária lépida e sorridente e lá fiquei o resto da tarde, me profissionalizando dentro do meu padrão, ou nível esquiístico.

A moral da história? Não sei bem… acho que se soubemos nos meter nas piores situações, também conseguimos sair delas, é um aprendizado. Então, se te vires em um momento parecido, não te desespere, respira fundo e vai! No final, tudo dá certo!!

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